Thursday, February 28, 2008

A cidade do Rock

Linkin Park
imagem extraída de www.linkinpark.com

Bon Jovi

imagem extraída de www.bonjovi.com

Linkin Park, Bon Jovi e Metálica são algumas das bandas que vão passar pelo Parque da Bela Vista a partir do dia 30 de Maio. A organização do Rock in Rio tem como intuito "fazer com que o mundo páre para pensar e actuar, efectivamente, para construir um mundo melhor. Seja como gerador eficiente de recursos ou como um poderoso instrumento de mobilização e de sensibilização".


A ideia é que se espalhe a concepção de um "mundo melhor", uma máxima já concebida em edições anteriores, por entre os demais participantes da iniciativa que vai contar com nomes sonantes como Lenny Kravitz, Alejandro Sanz, a galardoada Amy Winehouse e James Morrison.

Não obstante, também nomes conhecidos da música nacional vão estar em palco, tais como Ricardo Azevedo e Lúcia Moniz, Expensive Soul, Moonspell, Sam the Kid e Ala dos Namorados e os Caim.
Caim


Os bilhetes foram hoje colocados à venda a um preço único de 53 euros e o Rock in Rio 2008 prevê receber mais de 90 mil pessoas num espírito que a música é que dá cor à vida.

Anabela da Silva Maganinho

Tuesday, February 19, 2008

A cada 30 segundos

O concerto dos 30 Seconds to Mars, na passada sexta-feira, moveu pessoas de todos os cantos de Portugal e até mesmo alguns países estrangeiros ao Coliseu dos Recreios.
Qwentin abriram a primeira parte do concerto da banda liderada pelo actor Jared Leto e acabaram por ser muito pouco comparado com a energia que os 30 Seconds mostraram em mais de 60 minutos de actuação. Todos os instantes revelaram pontos distintos da banda e, apesar de, no final, ouvirmos dizer "este foi o melhor espectáculo que tivemos até hoje" - e isso sabemos que é sempre dito - a banda correspondeu às expectativas dos fãs.

"Attack", "A beautiful lie" e "The Kill" foram algumas das músicas ecoadas no recinto, mas, a música tocada de início foi a que extasiou os demais: "From Yesterday" consegui-se ouvir mesmo no exterior, em plena rua do Politeama.

Marinha Grande, Porto, Braga, Algarve e Lisboa estiveram unidos no Coliseu dos Recreios e até mesmo Inglaterra e Dinamarca tiveram representações.


A parte mais negativa, se assim poderemos dizer, ocorreu no final do concerto em que somente algumas pessoas puderam estar com a banda. Procedeu-se à distribuição de pulseiras para que aqueles que quisessem pudessem estar frente-a-frente com os 30 Seconds. Aqueles que quisessem por entre as 1500 pulseiras, tendo em conta que estavam no Coliseu mais de 4000 pessoas e que os fãs assíduos da banda são mais de 2500. Podemos tirar uma elação, porventura, desta situação. Dezenas de pessoas esperaram pela banda nas imediações do Coliseu; porém, a banda nem sequer perto passou o que acabou por desiludir aqueles que pagaram e não tiveram as mesmas hipoteses que os outros.


Anabela da Silva Maganinho

Mostraram ser os melhores da Europa

O Kampong saiu vencedor do Europeu de hoquei em sala que decorreu, em Espinho, no passado fim-de-semana. A equipa holandesa mostrou a superioridade frente ao Dinamo Electrostal. A Holanda começou por marcar aos 10' de jogo e passado nem um minuto sobre o tempo Frederik Jonker, o capitão, voltava a stickar para as redes da equipa russa (2-0). O Dinamo ia tentando a sua sorte, mas a bola parecia não querer entrar até aos 33 segundos do primeiro tempo onde conseguiu o primeiro golo (2-1).



Na segunda parte, a equipa holandesa mostrava, mais uma vez, que estava ali para vencer e marcou o terceiro golo por intermédio de Günther (1'). O Dinamo conseguiu concretizar mais um golo aos 10', no entanto, a Holanda não se ficou até ao golo a 5' do final. A formação russa tentou até ao último cartucho aos 25 segundos, mas, efectivamente, foi a equipa holandesa do Kampong que se sagrou vencedora do campeonato europeu ao fixar o (4-3).
Um outro jogo a destacar no torneio foi o encontro entre Académica de Espinho e HC Roma. Um jogo no qual se disputou o quinto e sexto lugares até ao último segundo.

equipa italiana do HC Roma



O início da partida foi bastante equilibrado com stickadas de perigo para ambos os lados, ainda que tenha sido o Roma quem conseguiu chegar primeiro ao golo com 13 minutos decorridos. A seis minutos do final do primeiro tempo Zé Catarino acaba por ver o cartão amarelo (equivalente a dois minutos fora do jogo). E foi este jogador que acabou por dinamizar o jogo com lances bem conseguidos que ultrapassavam, por vezes, a defesa da equipa italiana. A Académica chega ao golo logo no primeiro minuto após ao intervalo. Nem três minutos tinham passado quando a Académica consegue mais um golo colocando assim a equipa da casa na frente do marcador (2-1). O Roma só consegue assinalar mais um golo a aos 11'.

Todavia, a Académica queria sair vencedora do desafio e voltou a marcar (7,21'). A Morales, jogador do Roma, acaba por ser atribuído o cartão amarelo ao minuto 14 e nos minutos subsequentes (1,30' do final) a equipa italiana chega à igualdade (3-3). A equipa portuguesa quer mostrar por que razão estavam a competir no europeu e consegue um remate certeiro a menos de um minuto do final da partida. O Roma ainda tenta marcar mais um golo, mas o tempo não foi suficiente para tal. A Académica saiu vencedora do jogo o que a posicionou no quinto lugar da classificação.

Nesta partida, Zé Catarino e Alessandro Nanni revelaram boas prestações, designadamente nos golos e no jogo bonito que se pode ver.

Zé Catarino, jogador e capitão, da Académica de Espinho (em cima) e Alessandro Nanni (jogador da HC Roma)



Nos restantes confrontos podemos falar em resultados: o HK Jedinstovo perdeu com oHC Valenciennes por 2-4 e o C Kolos-Sekvoya Vinnitsa venceu o Bohemians Praha por 5-2.

Anabela da Silva Maganinho

Empate no Norte

foto da comemoração do golo por José Maganinho

O Leixões voltou a empatar em casa, desta vez frente ao Boavista, a duas bolas. Jorge Gonçalves acabou por ser o homem do jogo pela exibição e por ter sido o jogador que assinalou os dois golos da formação do mar.

O Boavista foi o primeiro a marcar, no entanto, era o Leixões quem comandava os lances da partida. Charles Obi chegou ao golo (53') e o Boavista queria assegurar o resultado que o colocava na frente do marcador. Mas nem por isso o Leixões deixou de tentar alcançar os três pontos. Sempre a liderar a partida, os leixonenses superaram os jeitos mais agressivos dos axadrezados e conseguiram chegar ao empate por Jorge Gonçalves. O camisola 19 do Leixões marcou perto do minuto 70 e colocou a equipa do mar em igualdade quantitativa. Passados cerca de 10 minutos Jorge Gonçalves bisava e era o Leixões que via a vitória. Contudo, o resultado não vingou e a quatro minutos dos 90 Marcelão marcava o golo do empate do Boavista.


As equipas do Norte não sairam satisfeitas do encontro e o jogo valeu pelo desempenho do árbitro Pedro Proença e dos auxiliares no cumprimento das funções.



Substituições:

50' substituição do Boavista - Jaime Pacheco tira Mateus e coloca em jogo Zé Kalanga.

59' substituição do Boavista - Hussain entra e sai Laionel.

60' substituição do Leixões - entra Paulo Machado na saída de Diogo Valente.

61' substituição do Leixões - Pedro Cervantes entra com a saída de Jaime.

70' substituição do Leixões - Ezequias sai e entra João Moreira.

76' substituição do Boavista - Luís Loureiro e sai Gilberto.



Cartões:

amarelos

17' Gilberto, 21' Laionel, 34' Mateus e Marcelão 46'.

75' Charles Obi.


Golos:

53' Charles Obi (0-1)

71' Jorge Gonçalves (1-1)

80' Jorge Gonçalves (2-1)

86' Marcelão (2-2)


Anabela da Silva Maganinho

Sunday, February 10, 2008

Directo aos quartos



O Gil Vicente venceu, hoje, em casa, o Leixões e passou aos quartos-final da Taça de Portugal.
A partida iniciou-se com lances de ataque de ambas as partes e prometia vir ser uma partida com muitos golos. No entanto, o Leixões começou a baixar o rendimento e não mostrou a garra da equipa que subiu à primeira liga. O Gil Vicente mostrou a supremacia com lances ofensivos que chegaram a assustar Beto.


A saída para o período de descanso não surtiu grandes efeitos, visto que apenas era a continuação do que tinha terminado com o primeiro tempo. O Gil Vicente estava destemido e continuava a tentar a sorte nos remates, ao invés do Leixões que era conduzido pela formação gilista.
Os 90’ não foram suficientes para a concretização e o marcador mantinha-se inalterado. A subida ao relvado para o prolongamento trouxe um Leixões mudado, com vontade de vencer o encontro; todavia, a equipa do mar não conseguiu chegar ao golo. O Gil Vicente continuava a atacar e eis que aos 6' do segundo tempo do prolongamento Diego Gaúcho chega ao golo. Num livre de João Pedro, o jogador aparece e cabeceia para a baliza de Beto. O guarda-redes costuma sair em situações destas, mas hoje foi a excepção à regra. O remate certeiro que dá a vitória ao Gil Vicente num jogo em que o galo mostrou que sabe cantar mesmo em alto mar.


Substituições:
65' Substituição Leixões sai Nwoko entra Paulo Machado

69' Substituição Gil Vicente sai Zezinho entra Zongo

77' Substituição Gil Vicente sai Luís Miguel entra Luís Coentrão

80' Substituição Leixões sai Jorge Gonçalves entra João Moreira

82' Substituição Leixões sai Castanheira entra Hugo Morais

97' Substituição Gil Vicente sai Macielentra Tiago André


Cartões:

Amarelos

42' Ezequias

51' João Pedro

56' Hermes

58' Élvis

96' Nuno Silva



Golo:

111' Diego Gaúcho

Anabela da Silva Maganinho

Ao alto nível

Alessandro Nanni aquando do europeu de hóquei em campo
O Eurohockey indoor de clubes vai decorrer, em Espinho, nos próximos dias 15, 16 e 17 de Fevereiro.
A alta competição regressa a Portugal após o campeonato que, no ano transacto, acolheu selecções europeias de hóquei em campo, em Oeiras. O palco das emoções passa de campo a sala, visto que estamos a falar num indoor, e é o Norte do país, nomeadamente a cidade de Espinho, que se prepara para receber equipas internacionais da Ucrânia, Croácia, França, República Checa, Rússia, Holanda e Itália.
A Associação Académica de Espinho vai ser a equipa anfitriã deste europeu que acolherá equipas muitos fortes de que é exemplo a HC Roma, na qual actua o internacional italiano Alessandro Nanni.
O campeão apenas poderá ser conhecido no Domingo, no entanto, poderemos assistir ao desempenho das melhores equipas do espectro nacional de forma a conseguirmos ver qual a que vai concretizar da melhor maneira.

Anabela da Silva Maganinho
Em Oeiras estivemos com Nanni e realizamos uma entrevista ao internacional que se encontra em posts anteriores deste blog.

Thursday, February 7, 2008

O homem reflectido por detrás da personagem

Alexandre Borges, que desempenha a personagem de Dr. Escobar em “Desejo Proibido”, voltou a Portugal para reviver a terra que reúne as suas origens. O rei do Carnaval da Mealhada de 1996 regressou ao trono 12 anos depois e efectivou mais um desfile da sua vida.
O interesse pela representação suscitou desde cedo em Alexandre; no entanto, o empenho e o trabalho moroso foram fazendo parte de cada traçado do seu caminho enquanto profissional. Estreou-se no teatro, tendo percorrido os palcos cinematográficos, e foi nas telenovelas que conseguiu o protagonismo que hoje reúne por entre brasileiros e portugueses.
Bruno foi um dos primeiros papéis que teve de interpretar no «grande ecrã» e esse tempo parece longínquo se estivermos defronte o percurso de Alexandre por “Laços de Família”, “As filhas da mãe”, “Celebridade” ou “Belíssima”. Desempenhos distintos por várias personagens que integram o repertório de um só actor.
Actualmente, cabe-lhe encarar Escobar, um psicanalista que se apaixona pela paciente Ana e que o junta novamente à actriz Letícia Sabatella, após a emocionante história de amor que interpretaram em “A Muralha”.
Alexandre esteve três dias em Portugal e deixou a promessa de tornar a terras lusas para novos enredos.

Anabela (A) – Antes de sabermos um pouco acerca da passagem que o marcou em Portugal gostávamos de saber como foi a sua entrada no mundo da representação e como surgiu o gosto por esta arte.
Alexandre Borges (AB) –
O teatro apareceu na minha vida um pouco em função do meu pai. Somos de uma cidade no litoral de São Paulo chamada Santos e o meu pai é director de teatro. Os meus pais separaram-se quando eu era muito pequeno, tinha apenas três anos, e eu costumava passar os fins-de-semana e as férias com o meu pai. Posso dizer que cresci com ele a fazer teatro nos bastidores e participei, inclusive, em peças de teatro amador infantil. A minha mãe também tinha um lado artístico. Ela era bailarina, os meus tios tocavam música, não obstante, à minha avó que era muito ligada ao palco e às artes. Aliás, resolvi homenageá-la ao adoptar o nome artístico Borges, por ser uma mulher que sempre batalhou muito para que um dos filhos fosse artista. Ela acabou por falecer e, de repente, eles tiveram de rumar noutras direcções para sobreviverem. A junção destes aspectos acabou por me levar até à representação.

A – E recorda como foram dados os primeiros passos enquanto actor?
AB –
Na adolescência, já estava ligado ao teatro com peças infantis. Entretanto, terminei os estudos, mas não enveredei pela faculdade. Ao completar os 18 anos fui para São Paulo e aí queria, realmente, ser actor. Ingressei num grupo de teatro e comecei a fazer teatro e a aprender com os grupos que lá existiam. Permaneci na cidade nove anos e persisti na batalha de iniciante. A partir daí as coisas foram acontecendo. Tive a oportunidade de vir para Portugal através do teatro, em 1986, e estar no Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI), no Porto. A posteriori, apareceu o cinema ao qual se seguiu a televisão e as coisas foram-se engrenando.

A – Numa entrevista brasileira mencionou que pensa que se iniciou um pouco tarde. Referia-se a encetar tardiamente na representação ou nas telenovelas?
AB –
Nas telenovelas. Não é que tenha começado tarde. Comecei na hora certa, por que considero que cada pessoa tem a sua carreira e o seu momento e não existe uma regra no meio artístico. O momento certo é uma coisa muito específica de cada um. A televisão surgiu numa altura em que eu já fazia teatro e, portanto, já tinha alguma experiência. Acredito que se tivesse começado muito novo não ia ter «bagagem artística». Então, veio no momento certo, mas com nove anos de carreira profissional no teatro.

Com participações no teatro, no cinema e na televisão Alexandre Borges revela que “o teatro é a casa do actor” e isso tem uma razão consistente, uma vez que “é o [palco] que reúne os textos clássicos, todas as personagens maravilhosas, os grandes autores… peças modernas da Rússia, de Inglaterra, da Itália, do Brasil, de Portugal”.
O actor revela que o teatro é “uma coisa muito ampla de onde advêm a televisão e o cinema”, uma vez que estes meios surgem pela “arte dramática”. Ainda que goste muito da televisão por ser um veículo popular que chega a todos é “o teatro [que] vai ser sempre o lugar onde vou procurar estar, onde vou estar mais à vontade, onde vou poder, realmente, exercer em pleno”.
No entanto, importante é conseguir proporcionar a qualidade às pessoas “que muitas não têm condições, nem financeiras, para irem ao teatro ou ao cinema e é por intermédio da televisão que é dada essa oportunidade: a oportunidade das pessoas se identificarem, de sonharem e de terem o seu momento ali”.

A – Na diversidade de interpretações que uma personagem pode exigir temos em conta que costumam identificar-se duas tipologias – o vilão e o bonzinho. Sobre qual recai a sua eleição no mundo da expressão?
AB –
Acho que essa variedade é que é interessante. É mau quando fazemos apenas um tipo de papel. O Escobar é um rapaz apaixonado que irrompeu num momento importante. Na mini-série “Amazónia”, fui um herói, uma pessoa que lutou por um ideal. Todavia, também tive personagens como o Danilo, de “Laços de Família”, que era um malandro (Alexandre ri-se quando fala no «cafajeste») ou como o Alberto de “Belíssima”.

A – No que concerne à interpretação, qual é o que exige mais trabalho?
AB –
Todos dão trabalho, mas, ao mesmo tempo, dão muito prazer. A personagem é sempre um enigma: está lá, no entanto, nunca sabemos. Até o conseguirmos entender, desenvolver e dar vida é sempre um mistério que exige dedicação e concentração. Obriga-nos a preparar e a recorrer à fantasia pela criatividade. Às vezes, conseguimos pegar num caminho e é, justamente, o que pretendemos; outras lutamos muito, pensamos e depois não sabemos como vamos fazer e a personagem não se obtém.

A – O que é que se torna mais difícil de lidar, no Brasil, para um actor como o Alexandre? As muitas fãs em redor?
AB –
Não, isso não é difícil (risos). Penso que a pior coisa, para um actor, é ser ignorado. Não termos uma voz, nem uma forma de atingir alguém. Nesse sentido, enquanto estiver a atingir as pessoas, pela empatia, estou feliz. A – Neste momento está no lado oposto do oceano Atlântico, está novamente em Portugal, qual a opinião que emite em relação aos portugueses e ao próprio país?
AB –
Tenho uma história antiga com Portugal. Desde 1986 que venho cá e cheguei mesmo a morar no Porto durante um ano (1989-90). Já filmei aqui um filme estrangeiro de Walter Sales e, depois disso, retornei com o teatro para a peça “Os dois perdidos numa noite suja”, protagonizada ao lado do actor português José Moreira. Além disso, eu e a Júlia trouxemos a “Eu sei que vou te amar”. Portugal é um país muito próximo. As pessoas são muito próximas, ainda que considere que cada país, cada povo, tem as suas características. Não raras vezes podemos pensar que [portugueses e brasileiros] são pessoas muito parecidas; contudo, não são. Falamos a mesma língua, mas nem o português é brasileiro nem o brasileiro é português e essas diferenças têm de ser respeitadas, por que é bonito. É isso que é bom quando eu venho cá: sinto a minha raíz, de onde veio a minha língua, sinto a minha origem, mas sei que sou diferente e sei que vocês são diferentes. Penso que é por isso que convivo muito bem, tenho grandes amigos portugueses e identifico-me bastante com este país.

A – Após o desfile em 1996 foi convidado, novamente, para o desfile de Carnaval. Qual poderíamos dizer que seria o desfile da sua vida?
AB –
O primeiro desfile que fiz aos 12 anos com o meu pai. Estávamos numa ala de artistas, em Santos, numa escola chamada X9 e eu saí de malandro, chapéu panamá, todo de branco e cravo vermelho. Foi o meu primeiro desfile e, efectivamente, foi uma coisa inesquecível para mim. Desde então sou apaixonado pelo samba e pelo Carnaval.

Alexandre Borges sente-se, neste momento, concretizado; porém, assume que “a vida é cheia de surpresas”. Confessa que é uma pessoa realizada por ter “uma família linda, pessoas que amo muito, além disso, amo o meu trabalho e tenho a oportunidade de exercê-lo”. Gostava de ainda vir a interpretar Édipo Rei, uma personagem da tragédia grega, com a qual se identificou, por ter “um pouco a ver com o meu momento, inclusive de idade. Acho bonito, mas é um projecto sobre o qual é preciso ter dedicação, tempo e uma boa produção”, revela o actor ao referir que este é um trabalho subsequente que pretende fazer.
É pelo trabalho que se tem dado a conhecer aos milhares de pessoas que o vêem, conquanto, além de personagem, Alexandre é uma pessoa que tenta sempre fazer melhor para merecer as coisas que tem e, para isso, “procuro estar sempre a aprimorar-me de forma a conseguir melhorar”, revela. Aos 41 anos, admite que há, ainda, muita coisa para ser feita e muitos sonhos para serem postos em prática: “tenho muitos sonhos e muitas coisas pela frente, mas vivo muito o dia-a-dia e encaro a vida como um dia após o outro. Gosto de olhar para trás e ver o que aconteceu. Olhar para o presente e ver o meu filho aqui comigo, a divertir-se, a conhecer um país novo que vai ser tão importante para ele nos estudos. São essas coisas que valem a pena que fazem sentido na vida e eu estou muito agradecido por isso”, assevera.
A telenovela em exibição vai ocupar o casal Alexandre Borges e Júlia Lemmertz até ao mês de Maio e só quando essa interpretação estiver concluída é que vão começar a planear outra etapa: “com a novela é difícil envolvermo-nos noutra coisa. Estou à espera que ela acabe para pensar em algo para o futuro, mas, com certeza, vou querer descansar”, afirma o artista. No entanto, e por serem profissionais da arte, estão a pensar trazer um novo projecto para o nosso país. Alexandre escreveu uma peça “de um casal, dois actores, que integrariam uma produção pequena”. Falta só a “coragem para pôr em prática” que Alexandre confessa ainda não ter por ter vergonha, “mas este era um projecto que eu queria fazer”.
Com um filho já crescido, o casal também tem em conta o bem-estar daquele que quer ser jogador de futebol. Miguel não parece querer seguir as pisadas dos pais, porém, o que é relevante, para Alexandre, é que “ele seja uma criança alegre, participativa, respeitadora e o que vier vai ser bem-vindo”.
A complexidade de uma personagem pode traduzir-se na simplicidade de uma pessoa, homem e pai, que aproveita cada momento como se se tratasse da última cena para a longa-metragem que não carece de guiões.

Anabela da Silva Maganinho