Sunday, March 30, 2008

Exibição sem espectáculo



O SC Braga empatou, hoje, com o Leixões, no Estádio Axa, sem um único golo a dar graça. O jogo ficou marcado pela exaltação de ânimos por parte de ambas as massas associativas, no decorrer da arbitragem de Pedro Henriques.
Os bracarenses esperavam a vitória para passar o Vitória de Setúbal na tabela classificativa na luta ao segundo lugar, ao invés, a equipa do mar pretendia somar pontos que a afastassem da linha de água.
O primeiro quarto de hora não prometia um grande encontro, visto que o Braga não exigia nos ataques e o Leixões ainda nem tinha conseguido qualquer remate.
Aos 24’ a turma de António Pinto consegue um remate por Roberto, subsequentemente ao livre que o Braga tinha cobrado. Num chamado «taco-a-taco» até à meia hora de jogo, poucos eram os lances que passavam do meio campo, tendo-se verificado um recuo por parte da formação de Matosinhos. O Braga tentava os lances de contra-ataque e, através de João Pereira, dinamizava o sentido do jogo por entre passes controlados do defesa que protagonizava corridas para ataque dando lugar a lances ofensivos.
As equipas recolhiam aos balneários para o tempo de descanso. A subida para o segundo tempo ficou marcada pela entrada de Linz. O internacional austríaco esteve, durante a semana, a representar a selecção do seu país, mas mostrou-se apto para os 45 minutos que se seguiam. Contudo, o dianteiro susto tendeu para o lado do Braga com um remate de Jorge Gonçalves (52’). O Leixões parecia querer progredir no campo; porém, a eficácia dos lances não era imponente e António Pinto fez entrar Paulo Machado. Também a formação bracarense estava a necessitar de mutações tanto que Manuel Machado procedeu à primeira substituição ao colocar em jogo Frechaut. O número entra com vontade de virar o resultado e remata, na sequência de canto, na tentativa de fazer a bola entrar nas redes de Beto. As equipas estavam a atacar mais e era esse o objectivo que fazia movimentar mais a posse de bola. Tudo conduzido na perfeição pela equipa de arbitragem até ao minuto 80, depois é que os ânimos se vieram a exaltar. Vieirinha acaba caído no chão, na sequência de um lance iniciado por Paulo Machado, Pedro Henriques não assinala qualquer falta.

O camisola 17 continua sem se mobilizar no terreno e todos ficam à espera da paragem do árbitro assim que a bola sai fora das quatro linhas. Pois isso não se sucedeu e é aí que adeptos do Leixões e do SC Braga trocam palavras e daí a verem-se garrafas e cadeiras pelo ar foi um instante. A polícia de intervenção tentou apaziguar o clima, mas, efectivamente, os ânimos demoraram a serenar. O jogo prosseguia e, no último minuto, é o próprio Vieirinha que se isola e Paulo Jorge impede que a bola entre.
O marcador fixa o resultado a zero e as posições destes clubes, na tabela classificativa, mantêm-se à espera da próxima jornada.


Cartões
amarelos
22’ Nuno Silva (Leixões CS)
37’ João Pereira (SC Braga)
64’ Bruno China (Leixões SC)
67’ Paulo Jorge (SC Braga)
86’ Nuno Amaro (Leixões SC)
87’ Zé Manel (SC Braga)
90’ Pedro Cervantes (Leixões SC)

Substituição
45’ substituição no Braga - Linz entra e sai Vandinho
56’ substituição no Leixões – Paulo Machado entra e sai Jaime
61’ substituição no Braga – Frechaut entra e sai Brum
67’ substituição no Leixões – Vieirinha entra e sai Jorge Gonçalves
74’ substituição no Leixões – Pedro Cervantes entra e sai Castanheira
80’ susbtituição no Braga – Stelvio Cruz entra e sai Contreras


A figura


João Pereira. Ainda que se tenha visto mais na primeira parte, o lateral direito esmerou-se nos lances de ataque da equipa bracarense.

Anabela da Silva Maganinho

Saturday, March 29, 2008

Uma Noite com Klepht

imagem extraída de www.klepht.com
Os Klepht actuam, hoje, no Kastru's Bar, em Forjães, num concerto que marca o regresso da banda ao Norte.
A banda liderada por Diogo Dias (apresentador do Brand New na MTV) reúne cinco pessoas, cinco amigos oriundos de Lisboa. Tinham o sonho de vingar pela música e decidiram apostar algumas músicas em português e em inglês. Já cantam há cerca de oito anos, mas só agora começaram a verdadeira fase de promoção, subsequentemente a vários concertos realizados no ano transacto. O registo de estreia, com pouco mais de quinze dias, é homónimo e é composto pelo rock que a banda define como instrutora das canções.
"Por uma noite", "Fechar os olhos" e "Tears of fear" são alguns dos temas que vão poder ser ouvidos esta noite, a partir das 22horas, por todos os que obtiveram o bilhete de entrada.
Anabela da Silva Maganinho

Friday, March 28, 2008

O homem escreve, a obra nasce


António Oliveira, docente do ISLA de Vila Nova de Gaia, vai proceder ao lançamento do mais recente livro "O que resta de Deus - história de desencantos". O palco da apresentação será, justamente, o local de ensino de António Oliveira - o ISLA Gaia - pelas 21horas do próximo dia 18 de Abril.
Jornalista profissional há mais de 30 anos, António Oliveira envereda pela redacção num outro formato no retrato de uma "terra perdida, de gente esquecida do mundo e de si própria confrontam-se com os seus fantasmas e com a razão de estarem juntas", de acordo com a editora do livro.
Com apresentação do Prof. Dr. Sérgio de Matos da Universidade do Porto - e, inclusivamente docente do ISLA -, António Oliveira vai mostrar a todos os presentes a pitada daquela que promete ser "uma viagem a um mundo de desencantos onde a palavra é dor e partilha".
Anabela da Silva Maganinho
Um grande autor, com certeza, uma grande obra. Não posso deixar de dar a minha opinião no que concerne a este livro. Como o próprio autor nos disse numa aula uma obra tem dois autores: aquele que a escreve e aqueles que a lêem.

Thursday, March 27, 2008

O próximo passo da TVTEL


NEXTV vai ser apresentada já este sábado, no Buddha de Lisboa. NEXTV não é apenas uma televisão, visto que se trata de uma nova produtora de conteúdos da TVTEL. Ao agregar canais televisivos, emitidos por cabo, de que é exemplo a RNTV, a NEXTV vai englobar ainda canais referentes à cultura e ao desporto. Com a presença de Soraia Chaves ao som dos sets de Demo e Dino, da banda Expensive Soul, não obstante à actuação dos Sugarleaf, a festa de apresentação vai ditar mais um grande passo na conjugação de meios de transmissão.
Anabela da Silva Maganinho

Tuesday, March 25, 2008

O “prazer” da música pela amizade


foto fornecida por Hugo Piló
Os Blister deram os primeiros passos no panorama da música nacional, no ano de 2001, por intermédio de quatro rapazes – Hugo Piló, Mauro Ramos, Dikk e Gonçalo Pereira – que pretendiam espalhar a harmonia por entre acordes intuitivos.
Com experiências distintas por outros circuitos, os músicos que apelam à valorização do nacional, acabaram por enveredar numa aventura conduzida por Gonçalo Pereira. O guitarrista conheceu Hugo num programa televisivo e foi então que surgiu a ideia de formar uma banda juntamente com Dikk, o braço direito de Gonçalo. “O nome apareceu numa caminhada para o café” aquando da procura de um nome sonante, numa altura em que faltava um baterista. Mauro Ramos era um nome já conhecido pelos trabalhos de free lancer, no Estúdio 45 da Damaia, e os três elementos nem hesitaram em ir buscá-lo.
A maqueta foi gravada e o single mais rodado “Day by day” começava a tocar nas rádios. Em Maio do ano subsequente, estava consagrado o nascimento da banda com actuações ao vivo.
Com dois CDs editados, videoclips e uma digressão, não obstante, aos concertos e actuações realizadas os Blister contam com um repertório nem sempre “valorizado” aos olhos dos portugueses.
Decorridos quase oito anos sob o processo de formação, a banda explica-nos, em Lisboa, as razões pelas quais estiveram afastados dos palcos.

Anabela (A) – Vocês iniciaram o vosso percurso muito antes do projecto Blister, designadamente o Mauro como free lancer e o Hugo com passagens pelo “Chuva de Estrelas” e pelos Santaclaus. Como é que surgiu o conceito Blister na vossa carreira?
Hugo (H) –
Aos 14 anos, decidi entrar na banda de um rapaz da minha turma e ser o vocalista. Nunca tinha cantado a não ser com o meu pai: ele dava-me uns acordes de guitarra e eu punha-me em cima da mesa. Depois disso ingressei no “Chuva de Estrelas” e, mais tarde, fiz parte da formação da banda Santaclaus. A banda sonora do “Bar da TV” foi uma oportunidade onde conheci o Gonçalo Pereira. O Dikk era o braço direito do Gonçalo e, de imediato, concordou com a formação da banda. O nome nasceu de uma conversa na ida ao café…
Mauro (M) – O nome tem a ver com o núcleo. Somos quatro pessoas que fazem música e se divertem com isso. Não temos uma tag de música comercial, uma vez que hoje podemos conceber uma sonoridade mais comercial, amanhã poderá sair uma mais alternativa. As coisas saíram sempre de uma forma muito natural.

A entrada para o mundo

"O DVD foi um sonho de miúdo que sempre tive de mostrar a minha forma de estar na música e de partilhar isso, acima de tudo, com a comunidade de bateristas". Mauro

A – Mauro, és um baterista free lancer e, inclusivamente lançaste um DVD. Fala-nos um pouco desse trajecto paralelo à banda?
M –
Desde pequeno que sempre quis poder viver da música, por ser aquilo que gostava de fazer. Obviamente que dentro desse âmbito podemos sempre fazer coisas que gostamos mais, com as quais nos identificamos, e outras para o qual somos contactados para fazer. Aos sete anos, já andava a percorrer o país com os meus pais por entre bailes e arraiais. Passados dez anos, decidi que era isto que queria fazer e comecei a dedicar-me plenamente. Principiei por bares no circuito de Lisboa e, a posteriori, gravei discos para vários artistas. Ia estabelecendo contactos e, de facto, quando surgiu a hipótese Blister (antes do DVD) foi a realização de algo que sempre tive vontade em miúdo. Fazer os nossos originais, tocar as nossas músicas, não passarmos a vida a tocar as músicas dos outros ou a gravar para os outros. Estávamos entre amigos, divertíamo-nos muito a fazer música; portanto, fazia todo o sentido. Em paralelo a isso tive de manter o meu trabalho de free lancer e participar numa série de projectos. Continuei a trabalhar, uma vez que para viver da música e para se subsistir, em Portugal, temos que trabalhar para arrecadar dinheiro. Só assim conseguimos investir nos nossos projectos.



A – Hugo, que lugar ocupa na tua carreira o “Chuva de Estrelas” e os Santa Claus? Foi o salto que precisavas para enveredar na música?
H –
Foram apenas maneiras de sair da Nazaré. Eram os programas que estavam, na época, a serem transmitidos na televisão e aconteceu assim como poderia ter acontecido de outra forma. Quando saí do “Chuva de Estrelas” tive uma reunião com o Ediberto Lima e ele propôs-me alguns projectos. Vim para Lisboa com 18 anos, entrei na faculdade e desencadeou-se um percurso onde aprendi bastante. Percurso esse onde me consegui balizar em termos sonoros e isso permitiu-me ter outra visão ou outros gostos.

Mauro já integrou o elenco de músicos de Ricky Martin e confessa que “foi engraçado. Pelo menos foi diferente. Vimos a coisa num formato grandioso que normalmente não estamos habituados a ver. Eles levam tudo a sério e vemos tudo à grande”. Definitivamente uma concepção de música e de espectáculo dissemelhante da nacional, pois a preocupação com os mínimos pormenores e o reconhecimento são conseguidos sem demais preocupações.
Por sua vez, Hugo encetou num percurso que lhe poderia abrir portas no mundo pelo qual sempre quis enveredar em que “o dinheiro não é importante, importante é o som”.

Bem mais que um registo

“Para podermos criar, fazer e acontecer temos de comer e para tal precisamos de comprar comida e de pagar as contas… e se ninguém se dá ao trabalho de valorizar o que fazemos acaba por ser desmoralizante”. Mauro

A – Durante muito tempo estiveram sem aparecer nos media e mesmo nos palcos. A que é que se deveu esse período de paragem?
M –
Um pouco da desmoralização daquilo que se passa no espectro nacional da música. Temos direito a 25% de música portuguesa nas rádios e parece que nos estão a fazer um grande favor, quando, supostamente, deviam passar 80 ou 90%. Pior é que desses 25% passam sempre as mesmas e não há espaço sequer para se tentar algo novo. Acrescido ao facto de as pessoas se não conhecem, não compram, e, quando se tem a pirataria, ninguém faz questão de procurar adquirir. Assim, o mercado não se movimenta e não podemos mostrar aquilo que fazemos. Dei por mim no Youtube a ver o vídeo Blister e deparei-me com comentários “alguém tem o «She’s Wild»? podem-me mandar para o msn?”.

A – Efectivamente, deixamos de ouvir falar da banda e o último CD “Everybody wants the same” nem sequer chegou ao Porto.
M –
“Bigger than us”.
H – Primeiro grande erro. No outro dia estava a falar nisso, por que fui parar a um blog que dizia o mesmo. Esse foi um nome falado e tinha de ser visto como duas palavras separadas – “every” e “body” –, no sentido de todos os corpos e não de toda a gente. No entanto, o título dito acabou por perder uma certa piada e acabamos por não adoptá-lo, deixando mesmo a música com o nome para trás. Estivemos algum tempo a marinar o nome e essa foi uma fase que andamos muito parados. Tinha que acabar o curso, estava a precisar de arranjar um trabalho…
M – Este segundo disco foi libertado um pouco pela consciência «ok, está feito, acreditamos, é bonito, sentimo-nos bem com ele». Decidimos libertá-lo para que, simplesmente, ele exista. Os sonhos de miúdos já lá vão, já não fazem muito sentido; porém, fazemos música porque nos divertimos.
H – Tivemos de pagar do nosso próprio bolso as 500 cópias que fizemos. Pensei em vender alguns temas online, mas para chegar aos cibernautas teria de ser alguém, que não eu. Acabo por ser o vocalista e o promotor ao mesmo tempo e eu desmoralizo por dois lados quando as coisas estão menos boas.

A – E qual o motivo que fez estagnar o projecto no que concerne, inclusivamente à promoção?
H –
Precisamos de um quinto elemento que poderia ser para a guitarra acústica, mas não é, é um manager. O facto de eu ter o curso de Comunicação Empresarial, do Gonçalo ter alguns conhecimentos, do Mauro viver da música e do Dikk acabar por ser uma «shadow personage» acabou por se fundir de uma maneira prejudicial para a banda. A comunicação que advém da Internet faz todo o sentido. Aproximou muito as pessoas e Portugal é um país pequeno.
M – Valoriza-se mais o que vem de fora do que o que há por cá. Sempre foi assim e é um pouco daquilo que é a cultura do português. O português, nesse sentido, sempre foi pequenino e, com a maior humildade, digo que já me cruzei com imensos músicos estrangeiros e não sei o que lhes devemos. Devemos-lhes respeito, tal como eles nos devem; porém, não me parece que haja razão para sermos sempre inferiores de alguma maneira. Por que não valorizar o que temos cá? O Gonçalo Pereira, podemos dar como exemplo, tem o projecto dele a solo e, se for preciso, vai tocar ao Japão ao lado do Steve Vai, ao lado do Joe Satriani e é considerado um dos melhores guitarristas do mundo. No nosso país talvez nem saibam que ele existe ou as pessoas que o sabem são uma minoria.

Mauro assume que a conjuntura que se vive por terras lusas fá-los desacreditar, por vezes, e que diz “sinceramente, já tive mais vontade de estar neste país”. A justificação é óbvia quando estamos perante um “músico independente” que “vive da música” e “os apoios não existem; contudo, conseguem cobrar e fazer infracções constantemente. Não faz sentido nenhum viver da música em Portugal com músico independente”, afirma o músico.
O baterista dos Blister advoga que os direitos dos músicos deviam ser atendidos e chega a ocorrer-lhe que, se pudesse, organizaria uma iniciativa tal como a que repercutiu efeitos em Hollywood com os argumentistas: “que a partir de agora ninguém tocasse”. Não raras vezes, a situação com que as bandas nacionais se confrontam é com a enunciação “originais só de borla” e tal como enfatiza Mauro “não valorizam o que andamos a fazer”. Com isto não se quer relevar que os Blister estão a marcar uma geração, mas que, pelo menos, o respeito deveria ser-lhes atribuído.
Hugo acaba por ser vocalista e promotor ao mesmo tempo e acaba por desmoralizar “por dois lados quando as coisas estão menos boas”, pois a verdade é que a música é a vida deles: “ligo todos os dias o rádio e essa é a ultima coisa que faço”. Essa é uma mais valia se tivermos em conta que foi ela a causa que os uniu e os tornou “amigos para sempre”.
Mauro Ramos e Hugo Piló

A – Portanto, o cenário da música nacional e a falta de apoios acabam por culminar na falta de oportunidades?
M –
Sou um revoltado com o Estado. Ele dá subsídios para tudo e para a música não há nenhum. A literatura conta com IVAs mais baixos, ao invés, se quisermos adquirir música temos que pagar tudo por igual.
H – Mas vêm aí tempos melhores, por que piores, economicamente, não deve haver. Portugal sempre esteve um bocado atrasado em relação à Europa.
M – Diz-me qual é o sítio onde estás e qual a pessoa que, na verdade, não ouve música nem que seja uma vez por dia?
H – Nem que seja no telemóvel.
M – A música faz parte do quotidiano de qualquer pessoa, mas não sei porquê não se valoriza isso, toma-se como um dado adquirido.

A sonoridade promovida

“Um dado adquirido agora é que não tens de pagar para ouvir”. Hugo

A – Relativamente à musica, designadamente “Old Friends”, que integra a banda sonora da série “Morangos com Açúcar”podemos dizer que, de alguma forma, deu a conhecer mais os Blister?
H –
Este é o terceiro tema que está a rodar; todavia, as pessoas não sabem que se trata de uma banda portuguesa. Estamos a trabalhar mal em termos de comunicação, o que, se calhar, até foi bom para maturarmos.
M – Quero acreditar que, muitas pessoas, já sabem que Blister é uma banda portuguesa. Quando se faz algo que soe, minimamente, internacional as pessoas ficam com a sensação de que não é obra de portugueses e eu acho que somos tão bons como os que estão lá fora e, em momento algum, vou deixar que nos deitem a baixo. Não quero que façam isso apenas porque sou português ou então não quero ser português. Nós [portugueses] não somos coitadinhos, fazemos boa música, temos os melhores jogadores da bola. Somos bons e vamos valorizar o que temos.

A – Nas vossas músicas o que surge em primeiro lugar: o instrumental ou a letra? Em que é que vocês de inspiram?
M –
As influências musicais da banda são muito vastas. Ouço um pouco de tudo, aliás para a minha própria vida enquanto músico e free lancer convém que haja versatilidade. O facto de divergirmos no que concerne a estilos de música é que acaba por criar uma fusão interessante. Ao nível da composição, as coisas despontam muito naturalmente e, por isso, é que a banda é robusta e forte. Por entre um rif de guitarra que o Gonçalo faz ou uma harmonia que levo com uma linha vocal minimamente estipulada que acaba por ser cantada com o Hugo e este leva-a para casa e faz uma letra.
H – O Mauro faz com que a segunda voz seja um sintetizador ou um próprio piano. A voz dele acaba por ser outro instrumento se a virmos como tal e atribui uma outra cor à melodia.

Todos pelo uno e coeso

A – Se tivessem de escolher uma música, ao longo do vosso repertório enquanto banda, qual seria aquela que vos definiria melhor, a mais identitária?
M –
É muito complicado escolher um tema, pois, na realidade, todos acabam por nos definir um pouco. O “Around the world”poderia ser o eleito pela sua complexidade, por ser um tema muito forte de se tocar. No entanto, num momento mais intimista lembro-me do “Act of blood”. Não obstante, o single “Old friends” também acaba por ser especial e fala um pouco daquilo que já somos: old friends.
H – “Old Friends” é uma música que facilmente é percepcionada.

A – Neste preciso momento, o que recordam da «pleasure tour» e dos espectáculos em digressão?
M –
Contamos momentos muito interessantes. O mais marcante, na minha opinião, foi a primeira parte da Alanis Mourissette, na queima das fitas de Coimbra. Com os acordes da “Good things and bad things” 30 mil pessoas bateram palmas – conheciam o som – e fizeram-me sentir o «arrepio na espinha».

A – Sagraram-se vencedores do 8º Concurso de Música Moderna de Palmela de Palmela, que recordação é que ainda têm desse triunfo?
M –
Entraram em contacto connosco e disseram que queriam que os Blister participassem no concurso. Nunca pensamos que poderíamos ganhar, até porque éramos repescados, mas fomos tocar. Para surpresa nossa conseguimos passar à eliminatória seguinte. A final seria no sábado só que eu e o Dikk estávamos contratados para, no mesmo dia, gravar, no Coliseu do Porto, um disco ao vivo. O Hugo e o Gonçalo decidiram que iam sozinhos à final e acabaram por ganhar, o que até por engraçado. Fez parte do nosso percurso e acabou por, dessa forma, se evidenciar mais uma faceta da banda.

A – Estamos a falar em performances da banda em território nacional. Quais seriam os grandes palcos que vocês gostariam de pisar e com que bandas?
M –
Gostava de fazer o Pavilhão Atlântico e os Coliseus. Na perspectiva internacional, penso no Estádio do Wembley.
H – Gostava de abrir para os Velvet Revolver, no Coliseu, num dia de calor para que fossemos todos tocar de calções.
M – Abrir para os Metálica ou para os Incubus seria muito bom. Beatles, Led Zeplin, Jeff Buckley constituiriam opções menos concretizáveis.
H – Queen, Rolling Stones, Dave Mathews Band, INXS e U2.

Ainda que não se partilhem as conquistas de um músico em Portugal, os Blister acreditam que daqui por 10 anos a circunstância em que se encontra a música vai melhorar. Hugo não deixa de abonar sob um ponto de vista que vai de encontro a tal progresso: “as pessoas vão voltar a querer comprar o CD, por que gostam de ter o álbum original”. Os Blister trabalham pormenores como a capa para que essa conquista seja bem conseguida e seja concebida “uma coisa mais quentinha”.
Nessa direcção Mauro assevera que “o dinheiro é importante para fazer com que as coisas aconteçam” e se consigam gerar coisas bonitas neste mundo. Os músicos não podem compor sem que haja condições para tal e é essa tendência, esse ciclo que é necessário inverter. Não raras vezes, os músicos querem singrar, querem conseguir viver dos seus projectos e a realidade com que se deparam é que “não se valoriza” o trabalho efectivado. O que os leva a não desistirem é a paixão pela música que acaba por fazer parte da existência de cada um.
Presentemente, os Blister estão a tentar arranjar meios de subsistência para que consigam tocar. O maior desejo a que Mauro alude é que os músicos sejam “dignamente tratados pelo que fazem”.
No que concerne a prospectivas aquilo que eles querem é “fazer música enquanto me apetecer e me sentir bem. No dia em que isto perder o sentido deixo de fazer música, nem que aí sejamos a banda mais conhecida do mundo”, anuncia Mauro. O que eles querem é mostrar a música que conseguem, que é feita por instinto e que só por esse talento deve ser reconhecida.
Hugo descobre uma porta ao dizer “vou abrir uma empresa” e quem sabe não será esta rebeldia a desencadear um novo movimento em prol da música nacional, pelo mundo, que pode não trazer mais do que um sorriso, mas que valerá a pena se for conseguido dia-a-dia.

Foto fornecida por Hugo Piló


Anabela da Silva Maganinho

Monday, March 24, 2008

Setúbal na frente

foto extraída de www.vfc.pt
Claudio Mejolaro, mais conhecido como Pitbull, foi eleito o jogador mais influente da Carlsberg Cup.
O jogador do Vitória do Setúbal acabou por confirmar as estatísticas que o apontaram sempre como potencial vencedor desta votação promovida pela Federação Portuguesa de Futebol. A primeira edição da taça da liga sagrou os sadinos vencedores, deixando para trás os denominados «grandes» do futebol nacional. A formação de Setúbal tem revelado qualidades (vejamos pela tabela classificativa), designadamente no que concerne ao plantel profissional. Claudio é apenas um dos exemplos e acabou por ficar à frente de Saleiro, jogador do Fátima, e do colega de equipa Eduardo.
O avançado espera regressar ao FC Porto, clube com o qual ainda tem vínculo contratual, mas, por enquanto, a luta no campeonato nacional ao serviço do Setúbal determina o futuro mais próximo.
Anabela da Silva Maganinho

Saturday, March 22, 2008

Jornada pelo título


O jogo grande da jornada realizou-se hoje, em Matosinhos, entre o Freixieiro e o Benfica do qual a equipa da casa saiu vencedora (7-5) e conseguiu somar três pontos.
O Freixieiro começou logo por controlar a posse de bola e o primeiro ataque surge no primeiro meio minuto da partida, altura em que o Benfica tentava recuperar a bola, mas sem sucesso. Ricardinho empregava o «bailinho» do seu drible; contudo, nada parecia abalar a formação da casa que estava disposta a vencer. Nada até à finta de Ricardinho sobre Miguel Mota que estreia o marcador para a equipa da Luz (18,24’). O Benfica ganha moral e sobe no terreno, defronte com a insistência do Freixieiro.
Decorridos nem 3 minutos sobre o início do encontro quando Miguel Mota, na sequência do canto de Israel, marca pelo Freixieiro e estabelece a igualdade (17,42’). A equipa da casa prossegue nos ataques quando Israel marca o canto de esquerdo, passe para Wilson e o segundo golo é conseguido. Em quatro remates que o Freixieiro tinha cumprido, dois resultaram em golo.
No que concerne a estatísticas, tudo parecia estar a favor da equipa de Matosinhos até aos primeiros 5 minutos quando um canto de Pedro Costa dá azo a Zé Maria meter a bola nas redes de Roque (2-2). O Benfica ruma ao ataque, todavia, a persistência do Freixieiro acaba por prevalecer nos passes. A equipa da casa opta por efectuar passes curtos, que revelavam serenidade e se contrapunham à impaciência e incessante vontade de marcar do Benfica. Nené tenta sempre a progressão e destaca-se mesmo aquando do jogo mais equilibrado. O Freixieiro ganha na recuperação de bola e é o Benfica que se vai revelando o mais faltoso ao longo da primeira parte. Onze minutos decorriam quando Israel arma o jogo, com a ajuda de Ivan, e aproveita o passe do capitão para o remate certeiro. O número 8 do Freixieiro faz o 19º golo do campeonato nacional.
O Benfica não tarda a reagir e 26 segundos depois, num lance ofensivo, César Paulo chega ao golo do empate sem dar hipótese a Roque. O Freixieiro sobe ao meio campo para voltar a atacar e perto do último minuto Israel consegue a bola, que Ricardinho tenta fintar, e remata direito às redes de Zé Carlos sem que haja hipótese de defesa. O resultado ficado até ao intervalo era conseguido pelo internacional (4-3).

O segundo tempo
A alternância entre Ricardinho e André Lima mantém-se ao longo da partida. O Benfica entra em campo na investida; no entanto, os lances ofensivos não repercutem grandes resultados. O efeito surge passados dois minutos na cobrança de um canto em que Pedro Costa recebeu de Ricardinho e faz o Benfica chegar à igualdade (4-4). O Freixieiro volta ao ataque, ainda que o Benfica consiga rematar mais vezes, e denota-se o facto de ambas as equipas intentarem pela supremacia numérica. O tento que coloca o Freixieiro de novo na frente resulta de um livre cobrado por Wilson que Cardinal atira para o fundo das redes de Zé Carlos (6,15’). O Freixieiro estava insaciável e mostrava a vontade de ganhar a partida. Nem um minuto tinha findo quando um lance comandado por Wilson, passa por Ivan e é Cardinal quem cruza para Israel finalizar. O golo derradeiro do Freixieiro surge a 3 minutos do final da partida. Ivan recebe assistência de Cardinal e marca o sétimo golo. O Benfica ainda gasta os últimos cartuchos sobre o domínio da formação de Matosinhos e eis que, nos últimos 20 segundos, Pedro Costa reduz para 7-5 a desvantagem.
O Freixieiro conseguiu mais uma vitória na corrida ao título, posicionando-se no terceiro lugar com 40 pontos.


Cartões (Amarelos)
15.17 – Arnaldo (Benfica) amarelo por reclamar falta sobre Nené
5.30 – Cardinal recebe amarelo por protesto quando Gonçalo empurra Israel num lance ofensivo
13.12 – É assinalada falta a Ivan que recebe amarelo
12.18 – É assinalada falta a Gonçalo que recebe amarelo
7.56 – É assinalada falta a Israel que recebe amarelo


A Figura
Israel Alves

Das equipas que se defrontaram hoje destaco os internacionais (Ricardinho, Gonçalo, José Maria, Arnaldo e Pedro Costa (Benfica) e do Freixieiro Ivan e Israel. A selecção nacional de futsal vai defrontar o Irão já na próxima terça-feira, em Santo Tirso, e vai contar com uma novidade: Cardinal. No dia seguinte, ambas as selecções rumam a Vila das Aves para mais um encontro amigável de preparação para as eliminatórias a decorrer próximo mês de Abril para o Campeonato do Mundo Brasil' 2008.

Anabela da Silva Maganinho