Tuesday, May 13, 2008

Festejos mal acabados


O «fogo dos bonecos», que se vem prolongando pelas gerações enquanto tradição em Matosinhos, hoje, não se realizou até ao fim.
O ponto de encontro, em dia de feriado municipal, transitou do parque Basílio Teles para o largo da Biblioteca Municipal; no entanto, a hora era a mesma. 19horas todos os munícipes e visitantes estavam prontos para ver mais uma iniciativa integrante das comemorações da festa em honra ao Senhor de Matosinhos.
À hora estava tudo a decorrer com normalidade, algo que não se evidenciou por muito tempo. Alguns bonecos tinham rebentado, mas, de repente, tinham posto término à pirotecnia. Quem estava a observar o que se passava não entendia a razão do sucedido e foram-se tentando informar pelas pessoas que se encontravam mais à frente. Três feridos pareciam ter sido a causa para o Presidente da Câmara, Guilherme Pinto, fazer parar o fogo. A polícia municipal, inicialmente, não podia dizer muito acerca do assunto circunscrevendo-se ao dito “por questões de segurança mandaram-nos cessar o fogo”, afirmou um elemento da autoridade. A posteriori, já com ambulâncias e o carro do INEM no recinto, outro elemento da polícia municipal concedeu a informação de que tinham resultado feridos: “segundo sei era uma senhora, uma criança e uma adolescente”, asseverou uma agente.
Guilherme Pinto deslocou-se, de imediato, aos veículos de socorro para ver com os próprios olhos a situação de cada caso e “com a menina está tudo bem”, de acordo com o presidente. A última informação que consegui recolher diz respeito aos restantes lesados que estavam em observação, tendo um deles sido encaminhado para o hospital Pedro Hispano.

Anabela da Silva Maganinho

Monday, May 12, 2008

Valeu Matosinhos



O Leixões somou mais uma derrota, desta vez frente ao Marítimo, por uma bola a zero, numa partida disputada no Estádio do Mar, a contar para a última jornada do campeonato nacional.
A equipa da casa é quem protagoniza o primeiro lance mais ofensivo, aos dois minutos, por intermédio de Jorge Gonçalves que recebe a bola com o peito, mas desperdiça ao rematar por cima da baliza. O tempo que se seguiu não deu maior posse de bola a nenhuma das equipas. O Marítimo consegue cobrar uma falta por Fábio Felício, três minutos depois, mas sem sucesso porque o bater do titular vai directo às mãos de Jorge Baptista. Do outro lado, Hugo Morais segue-se num canto que não bate a defesa da formação da Madeira. 13’ decorridos, Paulo Machado mostra a garra ao bater um livre na direcção de Marcos, sem conseguir abanar as redes, pois a defesa do Marítimo desvia para canto. Ao passar do quarto de hora os 8 mil presentes matosinhenses vibram com o golo… que não foi. O golo do Leixões apontado por Roberto é anulado por ser considerado em fora de jogo.



A onda chega ao Estádio do Mar e o jogo continua com alguma passividade por parte da equipa da casa que acabava por desvanecer nas terras insulares. Aos 27’, O Leixões tenta atacar com cortes do Marítimo, mas são os visitantes quem seguem no jogo e chegam ao remate pelo pé de Bruno Fogaça. No minuto subsequente vir-se-iam a saber notícias de Leiria. O Paços de Ferreira tinha chegado ao golo e a esperança dos adeptos do mar parecia suspensa. A falta sobre Jorge Gonçalves é cobrada por Paulo Machado que remata com pouca força para as mãos de Marcos. Mais um remate do Marítimo intimida a equipa de António Pinto. Wênio corre com a bola e remata por cima da barra. Até ao término da primeira parte, o Leixões tentava rebelar-se na defensiva do Marítimo. Mossoró trava Roberto na sequência de tirada de bola e acaba por ver a cartolina amarela. Uma oportunidade que Paulo Machado tenta aproveitar na cobrança de livre para Roberto, mas o avançado falha na concretização ao cabecear ao lado (34’).
Hugo Morais, que tem mostrado a boa forma nos últimos encontros, divide o lance com Nuno Diogo que acaba por sair também este ao lado. Roberto tenta, a cinco minutos do tempo de intervalo, colocar o Leixões à frente do marcador num cruzamento rente à linha de baliza; contudo, sem resultado uma vez que Jorge Gonçalves não consegue chegar ao desvio.
Após o período de descanso, China, Hugo Morais, Jorge Gonçalves e Paulo Machado conduzem os lances dos primeiros minutos da segunda parte. O Marítimo não pára e Márcio bate mais um tento por cima da baliza (55’). No entanto, o golo do Marítimo não tarda. Próximo do minuto 60 um lance entre Filipe Oliveira e Joel acaba por colocar o Marítimo na frente. Parecia que em nada ia dar para a defesa leixonense, mas a verdade é que quem aproveitou a falha de Nuno Diogo foi Márcio que desviou a bola para a baliza de Jorge Baptista. António Pinto faz entrar Vierinha, na tentativa de dinamizar o jogo, ao qual se segue a saída de Paulo Machado para descontentamento da massa associativa. Aos 65’ na sequência de um canto cobrado por Diogo Valente, Roberto atira mais uma vez por cima. Hugo Morais e Jorge Gonçalves vão na tentativa da finalização, conseguida e sem êxito, para a defesa de Marcos. Nos 10 minutos subsequentes o Leixões busca o empate e nem China consegue. Quase em cima dos 90’ o Marítimo quase chega ao golo; todavia, vê o tento anulado por fora de jogo. E nisto ouve-se o golo no Estádio do Mar: o Leiria igualava a partida frente ao Paços.
A partida estava a terminar, em Matosinhos, e nem por isso jogadores, equipa e adeptos arredaram pé. Esperava-se o resultado em Leiria. Um a um em Leiria concedeu a permanência do Leixões na primeira liga.


Amarelos
32’ Márcio Mossoró
69’ Hugo Morais
83’ Diogo Valente

Substituições
63’ substituição no Leixões: Nuno Diogo sai e entra Vieirinha
Paulo Machado sai e entra Diogo Valente
76’ substituição no Leixões: Hugo Morais sai e entra Pedro Cervantes
substituição no Marítimo: Tito sai e entra Adriano
87’ substituição no Marítimo: Wénio sai e entra Luís Olim
89’ substituição no Marítimo: Bruno Fogaça sai e entra André Pinto

A figura
Márcio Mossoró

foto extraída de www.zerozero.pt


A «máfia» afinou os cânticos perante oito mil leixonenses



E até as promessas valeram em dia de todas as decisões.



No final, os abraços foram o maior festejo


Anabela da Silva Maganinho

Sunday, May 11, 2008

Made in Azeitonas

Em mais uma noite da Queima das Fitas do Porto, os Azeitonas animaram a noite de quinta-feira ao som de "Quem és tu miuda?" e "Sílvia", na tenda cine jazz.
Depois das actuações de Blasted Mechanism, David Fonseca, Gentleman, Quim Barreiros e Clã subiram ao palco os míticos Trabalhadores do Comércio como anfritriões ao norte-americano Sean Kingston. O rapaz de 18 anos mostrou a performance já passava da meia noite e por entre a mistura de géneros musicais animou o público presente que ansiava por "Beautiful Girls". No entanto, Sean não conseguiu superar as expectativas, de acordo com alguns curiosos, e, por isso, a noite parecia começar, na verdade, fora do palco principal. Assim que terminou o concerto de Sean o público foi-se aglomerando numa das tendas alternativas do queimódromo e esperavam pela banda que sempre se apresentou como excêntrica, mas que vêm arrecadando admiradores por onde quer que passe. Com Nena e Marlon na voz, mais de uma hora de animação ficou garantida pela banda do Porto que confessou que gostava de estar no palco principal da Queima das Fitas. A vontade mostrou-se e os azeitolas e restantes estudantes não deixaram de marcar um grande concerto em noite de festa para a cidade académica.

Por ora as noites a queimar encerraram os portões, resta rumar a Braga para o «Enterro da Gata».
Anabela da Silva Maganinho

Tuesday, May 6, 2008

As pisadas na queima

David Fonseca abriu o segundo dia da Queima das Fitas do Porto. Na semana mais ansiada pelos académicos, as noites parecem não acabar e a diversão é a palavra de ordem para todas as idades.
O dia de ontem começou bem cedo com a missa da benção das pastas, realizada pelo primeiro ano na Avenida dos Aliados, e prolongou-se com a imposição de insígnias. Neste dia especial para todos os finalistas, as emoções estão ao rubro e o sentimento de finalização de uma etapa é consagrado com a batida na cartola. O dia estava longe de terminar, porque não é a noite que determina o término. David Fonseca avançou com os acordos pouco depois das 22horas e os estudantes vibraram ao som de "Kiss me oh kiss me", "Superstars II" e, principalmente, quando foram lembrados dois grandes êxitos que acompanham a carreira do músico de Leiria.
A empatia através da interacção pode sentir-se pelos presentes e o "salta David" concretizou-se com orgulho. David Fonseca confessou em após o concerto que adora vir ao Porto e que acha a Invicta "uma das maiores cidades do país".
Anabela da Silva Maganinho

Monday, May 5, 2008

Atrás de Jared por 30 segundos



Os 30 Seconds to Mars regressaram a Lisboa, no passado sábado, para mais um concerto memorável que atraiu fãs dos quatro cantos do país. Cerca de três meses decorridos sobre a lotação no Coliseu dos Recreios, a banda liderada por Jared Leto resolveu apostar, desta vez, em grande escala ao escolher o Pavilhão Atlântico para palco das emoções.
A abertura das portas estava prevista para as 18h, tendo em conta que o concerto tinha início duas horas depois; no entanto, os detentores de bilhete quiseram garantir o melhor lugar desde cedo. Três horas da tarde e duas filas estavam formadas por completo e outras tantas estavam a organizar-se. Centenas de pessoas sentadas nas imediações do recinto para que nada nem ninguém lhes passasse à frente.
O clube de fãs estava presente e o material de promoção ia sendo distribuído, a preparação – pela caracterização – estava a ser tratada ao mais pequeno pormenor e, enquanto isso, ouviam-se os acordos dos testes de som.

vocalista dos Fever
Com os Fever a protagonizarem a primeira parte do espectáculo, os 30 Seconds to Mars subiram ao palco pouco depois das 21.30h. Jared Leto aparece, por detrás do tule transparente, vestido de branco e o público não hesitou em interpretar o papel principal. “From Yesterday”, “A beautiful lie” e “Fantasy” foram ecoadas pelas cerca de 7 000 pessoas que marcaram presença, mas o momento alto da noite foi a versão acústica de “Was it a dream?” e a expressão dada ao tema “Modern Mith” a partir do balcão 1. Assim que Jared Leto começa a descer as escadas muitos foram os que correram ao seu encontro só para poderem estar mais perto do ídolo, uma possibilidade que não extravasou os 10minutos. De regresso ao palco, as rosas e os cartazes mostravam-se visíveis e Jared Leto agradeceu o apoio e lembrou que o concerto realizado no Coliseu foi dos melhores até hoje. A paixão que revelou pelo nosso país acabou por justificar a mensagem que os fãs espanhóis quiseram transmitir por intermédio do cartaz “Cross the border” colocado na grade do balcão.
Com as expectativas um pouco caídas por terra no que concerne a números, as prospectivas fixaram-se na promessa, assegurada pelo vocalista, de voltarem em breve. Os fãs não podiam pedir mais a não ser o autógrafo e eles concederam-no. Agora quando “a história” começa a ser consagrada só resta saber para quando o próximo concerto.
30 Seconds to Mars em sessão de autógrafos para os fãs

Anabela da Silva Maganinho

Friday, April 25, 2008

O Senhor da cidade

As festas do Senhor de Matosinhos vão decorrer de 1 a 18 de Maio num espaço diferente devido às obras no complexo da responsabilidade da Santa Casa da Misericórdia.
Este ano, no Parque 25 de Abril, vão poder ser vistos apenas os divertimentos para as crianças, espaços de refeições rápidas e, ainda, o palco de espectáculos - contrariamente ao ano anterior onde se prolongavam as diversões para os adultos. Por razões de ocupação do espaço dos anos precedentes com o complexo da Santa Casa, a área de divertimentos para os mais velhos vai estar localizada na Avenida Comércio de Leixões e no mais recente Parque Manhufe. Ao descer a esta Avenida encontraremos a Avenida Engenheiro Duarte Pacheco ocupada com metade dos feirantes. A Avenida D. Afonso Henriques, na transversal à Igreja, vai estar ocupada, sobretudo, com a Feira do Artesanato e a outra metade das barraquinhas estará nesse local.

Xtasy

O programa deste ano vai contar com a tradicional feira da louça, que se inicia já no próximo domingo, com as actuações de Salvador (participante da Operação Triunfo) e Xtasy no dia 3. O Fernando & Amigos Superstar vão subir ao palco a 10, e o anfitrião Rui Tato fecha o dia 17. Por entre o fogo de artifício de sábado à noite (dia 10) ao fogo de bonecos que se realiza na terça-feira 13 à tarde, as comemorações têm sempre algo para dar a cada hora destes 18 dias de festa.

Rui Tato

Uma das festas mais visitadas do país - cerca de um milhão de pessoas no ano transacto, de acordo com a Câmara Municipal - está de volta, com música e tradição, à cidade de "mar e horizontes".

Anabela da Silva Maganinho

Wednesday, April 23, 2008

Viajar pelo(s) espaço(s)



José Luís Peixoto, Adriana Lisboa e Mempo Giardinelli revelaram, ontem, a viagem “ a viagem ou a inquietude da solidão”, na mesa que encerrou o ciclo de conferências “Literatura em Viagem”, em Matosinhos.
A moderação ficou a cargo de Manuel Sobrinho Simões que, apesar de efectuar pesquisas relacionadas com cancro, foi convidado por gostar de ler e por se assumir um viajador, nem que seja em trabalho. E foi Sobrinho Simões quem começou a discussão ao dizer que “a morte das pessoas é a coisa mais espantosa que há”.


Mempo Giardinelli concorda com a afirmação e advoga que “na literatura, nós também trabalhamos com a morte”. O autor argentino confessou que se a literatura, designadamente a literatura centrada em viagem, se transformaram no refúgio. Giardinelli recordou momentos passados, que o acercam no presente, de viagem e deu-nos a perceber "a viagem e a literatura como impulsionamento “para recuperar o tempo perdido”. Foi então que se dedicou a viagem pela Argentina e tal encaminhar permitiu-lhe “conhecer uma Argentina mais profunda que era a que eu queria conhecer”, confessa o autor.
Adriana Lisboa consegue ver a solidão para além da inquietude, não tendo, para ela, uma coisa a ver com a outra até porque se “a solidão provoca inquietude, a mim nunca me provocou”, de acordo com a brasileira. Adriana referiu que o primeiro meio de transporte dela são os livros e, por isso, assevera que “as viagens reais e simbólicas têm se dado através dos livros”. No entanto, a escritora “ao contrário de viajar em busca das entidades ou países viajo para me sentir estrangeira”, na busca do diferente, e, nesse sentido, não pretende essa situação até porque “a vida é a aceitação do nosso mundo que não tem outra coisa a não ser transitória”, enfatiza. Nada poderá criar uma melhor imagem do que este facto que passo a enunciar: Adriana é brasileira, mora nos EUA e viu-se a escrever, em português, acerca de Quioto (Japão).



O luso José Luís Peixoto reflecte sob um outro prospecto até porque as obras dele não «diziam», supostamente, muito acerca da temática. Ainda assim, consegue resumir a ideia daquilo que pode ser exposto: “existem diversas formas de viajar, designadamente a viagem no tempo – a científica – como a viagem da idade – do ontem para amanha”, enuncia. A vida, para este autor, está envolta em nós e “os livros são compostos de uma matéria fundamental que é a vida”. A vida que também é o tempo, sendo “o tempo é aquilo que fazemos com ele” e “a nossa aprendizagem da própria vida do início até ao fim do qual não podemos fugir”, assevera o escritor com algum humor no decorrer da oratória.
“Escrever é um acto de solidão”, como diz José Luís Peixoto, “mesmo que num café ou num estádio, porque quando se escreve está-se sozinho e quando lemos também, mesmo em voz alta”. Este é o entendimento da viagem que, inclusive, Giardinelli admite ao explicar que a “solidão é um motor da angústia e a angustia é o motor da criação literária”. A inspiração que advém, porventura, da “ viagem interior [que] é a melhor viagem da literatura…a viagem do leitor” que ora foram e que lhes transmite a confiança da “maravilha de uma viagem na literatura [que] não é de ida. A maravilha é viajar”, diz o argentino. E não importa qual a direcção, se intensa ou mais vaga, quando “navegar é preciso”, cita o escritor.
Actos que sublinham o indivíduo e que se traduzem em características que vão envolver algum esforço compreendido por prazer e mudança, como nos enfatiza José Luís Peixoto.



Mais do que um reflexo no espelho, quatro pessoas marcaram a presença, em mais um ciclo da literatura, onde o que importa não é a entidade que sabe as respostas, mas a pessoas que as procuram, pois “há memórias que já não se sabe se são lidas ou vividas”, à luz de José Luís Peixoto, mas a lembrança das literaturas ou das viagens vai permanecer a cada página vindoura até ao próximo ano.




Anabela da Silva Maganinho



Aqui deixo duas citações que me parecem de relevar:


"A viagem é o tempo... é relativo, passa devagar… Temos um relógio, mas não serve de nada. Se acha que a vida passa depressa cometa um crime e va para a prisão e aí passa devagar.
"Há uma coisa que, para mim, é muito curiosa por textos que tenha escrito. Uma coisa com a qual sempre me debati foi o facto de, no sítio mais exótico, nunca conseguir ter um olhar que não fosse o olhar de uma pessoa [como eu]. Não conhecer mais ninguém por dentro a não ser a mim próprio". José Luís Peixoto